Sal

Sal 

Qual a sua natureza?

O sal, quimicamente designado por cloreto de sódio, é constituído por dois minerais: o sódio e o cloro (1).

O sódio é o principal catião presente no fluido extracelular, essencial à manutenção do volume plasmático, equilíbrio ácido-base, transmissão de impulsos nervosos e ao normal funcionamento celular. Além do sal de mesa, existem outras fontes alimentares de sódio (2).

O sódio encontra-se naturalmente numa diversidade de produtos como o leite, a carne, o peixe, os ovos, os cereais ou os hortícolas. É frequentemente encontrado em quantidades elevadas em alimentos processados como pães, bolachas, carne processada e “snacks” (2).

Em indivíduos saudáveis, cerca de 100% do sódio é absorvido durante a digestão, sendo a excreção urinária o principal mecanismo de manutenção de equilíbrio do sódio. Em condições de calor extremo ou de atividade física intensa as perdas de sódio através da transpiração são consideráveis, sendo o equilíbrio reposto através da alimentação, sem necessidade de se recorrer a alterações na dieta ou a suplementos nutricionais (2).

Consequências de um consumo elevado

Um elevado consumo de sódio tem sido associado a hipertensão arterial, considerada o maior risco de doenças cardiovasculares, especialmente ataque cardíaco e acidente vascular cerebral (AVC). A diminuição do consumo de sódio pode reduzir a pressão arterial e o risco de doenças não transmissíveis (DNT) associadas à mesma (3, 4).

Estima-se que a pressão arterial sistólica acima de 115 mmHg contribua para 49% das doenças coronárias e para 62% dos AVC (5). Embora as DNT atinjam maioritariamente adultos, começam a ser, assim como os seus fatores de risco, detetadas mais frequentemente na população pediátrica. A pressão arterial durante a infância tem uma associação significativa com a pressão arterial em idade adulta, o que significa que crianças com elevada pressão arterial possuem um risco elevado de, no futuro, sofrer de hipertensão e de doenças associadas (6). Adicionalmente, pressão arterial elevada na infância contribui para a doença cardiovascular durante a própria infância. Estar alerta durante a infância para os vários fatores de risco das DNT que se podem manifestar na idade adulta é crucial no combate a estas patologias (2).

Para além da hipertensão e das doenças cardiovasculares, existem outras consequências que podem surgir de um consumo excessivo de sódio tais como sobrecarga do funcionamento renal, uma maior retenção de líquidos no organismo (que implica aumento de peso e contribui para o aparecimento de celulite) ou o aumento do risco de aparecimento de determinados tipos de cancro, como por exemplo do estômago (1).

Quanto consumir?

As recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o consumo de sódio são as seguintes:

  • Adultos – Consumir até ao máximo de 2 g de sódio/dia (5 g de sal/dia).

          Objetivo: reduzir a pressão arterial e doenças cardiovasculares, AVC e doença coronária.

  • Crianças – Redução do consumo de sódio.

          Objetivo: reduzir a pressão arterial.

A recomendação de ingestão máxima de 2 g de sódio/dia para adultos deve ser ajustada para um nível inferior, de acordo com as necessidades energéticas das crianças em relação às dos adultos.

Estas recomendações aplicam-se a todos os indivíduos, com ou sem hipertensão arterial (incluindo grávidas e lactantes), exceto a indivíduos doentes ou submetidos a terapêuticas que levem à hiponatremia ou à acumulação de água no organismo ou que requeiram dietas específicas (por exemplo insuficientes cardíacos ou com Diabetes tipo 1) (2).

Não estando definida a quantidade mínima de sódio necessária a um adequado funcionamento do corpo humano, estima-se que seja na ordem dos 200-500mg/dia. Existem evidências de que, por todo o mundo, a ingestão de sal é superior ao necessário fisiologicamente e às recomendações da OMS (7,8).

Rotulagem

De acordo com o Regulamento Europeu nº1169/2011 de 25 de outubro, a maioria dos produtos alimentares embalados à venda em Portugal passaram a colocar na sua rotulagem a quantidade de sal presente na sua composição, em vez da quantidade de sódio, permitindo uma capacidade de escolha e tomada de decisão mais conscientes por parte do consumidor (9).

A redução de sal é um assunto prioritário e o excesso de consumo de sal é um importante problema de Saúde Pública (9).

De acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde e da Comunidade Europeia, considera-se como meta a atingir a redução do consumo de sal entre 3% a 4% ao ano na população portuguesa, durante os próximos 4 anos, procurando alcançar a recomendação preconizada pela OMS para o consumo de sal de 5g per capita/dia até 2025 (9).

Em Suma

O sal ou cloreto de sódio, é constituído por dois minerais: o sódio e o cloro. Estes dois minerais são essenciais ao normal e saudável funcionamento do organismo, mas as consequências do consumo excessivo, particularmente de sódio, são diversos, sendo por isso essencial fazer um uso parcimonioso deste tempero. Um consumo de sódio até 2 g/dia (5 g de sal/dia) é a recomendação da Organização Mundial de Saúde.

Sugestões para reduzir o consumo de sal

  • Ler os rótulos dos alimentos, optando pelos que apresentam menor quantidade de sal;
  • Diminuir gradualmente a quantidade de sal adicionada durante a confeção dos alimentos;
  • Não utilizar saleiro à mesa, evitando adicionar sal fino aos pratos já cozinhados;
  • Substituir o sal usado na confeção dos alimentos por ervas aromáticas, especiarias ou sumo de limão;
  • Marinar a carne e o peixe antes de os confecionar, em vinha de alhos ou com outros temperos, sem sal;
  • Complementar os pratos adicionando legumes ou frutos, conferindo mais sabor (por exemplo: tomate, cenoura, pimento, milho, beringela, couve roxa, beterraba, ananás, laranja, maçã etc.) (1).

  

Referências bibliográficas

(1) DGS – Direção Geral da Saúde (2005) Sal: Princípios para uma Alimentação Saudável Lisboa, Portugal.

(2) WHO. Guideline: Sodium intake for adults and children. Geneva, World Health Organization (WHO), 2012.

(3) WHO - World Health Organization (2003) Prevention of recurrent heart attacks and strokes in low and middle income populations: Evidence-   -based recommendations for policy makers and health professionals. Geneva, Switzerland.

(4) BIBBINS-DOMINGO K, CHERTOW GM, COXSON PG et al, (2010) “Projected effect of dietary salt reductions on future cardiovascular disease”, New England Journal of Medicine, 362(7):590–599.

(5) MACKAY J, MENSAH G), WHO (2004) The Atlas of Heart Disease and Stroke, Geneva, Switzerland.

(6) CHEN X, WANG Y, (2008) “Tracking of blood pressure from childhood to adulthood: a systematic review and meta regression analysis”, Circulation, 2008, 117(25):3171–3180.

(7) HE FJ, MACGREGOR GA, (2009) “A comprehensive review on salt and health and current experience of worldwide salt reduction programs”, Journal of Human Hypertension, 3(6):363–384.

(8) ELLIOTT P (2007) Sodium intakes around the world. Background document prepared for the Forum and Technical meeting on Reducing Salt Intake in Populations (5-7 October 2006) Geneva, World Health Organization.

(9) DGS – Direção Geral da Saúde (2016) Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável - Alimentação Saudável em Números – 2015, Lisboa, Portugal.